Junho Violeta

A crise sanitária somada à crise economia e à crise política no Brasil colocam a integridade da população idosa em risco pessoal e grave vulnerabilidade em vários contextos, destacada a política eugenista do governo Bolsonaro diante das declarações referentes a “seleção natural” frente a fragilidade do contágio, ignorando assim, a importância de medidas efetivas para o isolamento desde o início da Pandemia por Coronavírus. 

O presidente Jair Bolsonaro chegou a afirmar que não “existe motivo para pânico” porque, segundo ele, iriam morrer apenas idosos e pessoas com deficiência: “Vão morrer alguns pelo vírus? Sim, vão morrer. Se tiver um com deficiência, pegou no contrapé, eu lamento. Minha mãe tá com 92 anos de idade, se pegar nela qualquer coisa, coitada. Mas não podemos deixar esse clima todo que está aí”, declarou, em entrevista ao Programa do Ratinho realizada no dia 20 de março.

Destacamos que nos artigos 2º e 3º do Estatuto do Idoso, menciona-se que é assegurado à pessoa idosa todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral,  oportunidades e facilidades para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade, sendo obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.

As campanhas de laços coloridos tem sido uma importante ferramenta para disseminar informações sobre questões de saúde, e a violência é um problema social e de saúde pública, atingindo proporções epidêmicas, também é reconhecida como um fator de saúde pública. O guia da OMS (Organização Mundial de Saúde), afirma que “a violência pode ser evitada e seu impacto reduzido, da mesma forma que os esforços de saúde pública impediram e reduziram complicações relacionadas à gravidez, lesões no local de trabalho, doenças infecciosas e doenças resultantes de alimentos e água contaminados em muitas partes do mundo. Os fatores que contribuem para as respostas violentas — sejam eles fatores de atitude e comportamento ou relacionados a condições sociais, econômicas, políticas e culturais mais amplas – podem ser alterados ”.

As políticas de ajuste fiscal (austeridade), também são forma de violência, haja visto as consequências das reformas trabalhista e da previdência que afetam o direito a segurança de renda e aposentadoria. As ineficazes medidas do governo no combate a crise sanitária também desencadearam milhares de desempregos, sendo que consequentemente idosos aposentados, pensionistas e com benefícios de prestação continuada (BPC/LOAS) passaram assumir despesas de familiares, como filhos, netos e irmãos, o que rebaixa ainda mais a sua condição financeira de renda.

Este mês é conhecido por JUNHO VIOLETA como forma de conscientização da violência contra a Pessoa Idosa. O combate a violência contra o idoso é um dever de toda a sociedade, assim como cuidar e zelar das nossas crianças, também temos o dever de proteger os idosos de qualquer tipo de violência.

Este ano de 2020 durante a Pandemia do Coronavírus os números de violência doméstica aumentaram em todo o mundo, sendo vítimas em maior proporcionalidade as mulheres, contudo, também houve um crescente registro de agressões contra pessoas idosas, ocorridos dentro da sua própria casa.

Para dar visibilidade ao tema e conscientizar a população sobre as violações dos direitos humanos, a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Rede Internacional de Prevenção à Violência Contra à Pessoa Idosa instituíram o 15 de junho como Dia Mundial da Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa.

Temos visto vidas ceifadas por ausência e omissão do Estado, um descompasso e um desprezo que elevam até o presente momento mais de 50 mil vidas que se perdidas pra Covid 19. Teremos uma geração de crianças que não terão a oportunidade de conviver com seus avós, assim como uma geração de idosos sem o direito de viver. Existem diferente tipos de violência, sendo as mais comuns a física, a financeira e a psicológica, mas também podemos destacar a negligência como um tipo de violência.

As denúncias de violência contra pessoas idosas podem ser feitas pelo Disque 100 (ligação gratuita, 24 horas por dia).

Não toleramos qualquer tipo de violência contra a Pessoa Idosa!

Nossas vidas tem valor!

Mudança & Renovação