RELATO DO SERVIDOR ÍCARO SOBRE A REUNIÃO NO INSS EM 25/09


*Ícaro Gama (BA) – Servidor INSS, participou da audiência no INSS em 25 de setembro, como convidado pelo coletivo Mudança e Renovação, minoria da Direção da Fenasps. 0 servidor Ícaro Gama trabalha atualmente em APS sem REAT e foi o idealizador de um grupo nas redes sociais  que começou a se mover e fazer barulho por conta das injustiças e distorções causadas pela não inclusão de Agências no REAT. O grupo tem a intenção de agregar os servidores e juntos organizarem uma forma de luta e mobilização.

Na nossa avaliação a hora é de unificar a categoria em torno da defesa de uma Carreira que de fato nos resguarde e mantenha o INSS enquanto patrimônio dos trabalhadores e na defesa de uma Previdência pública e gratuita.

Abaixo segue o relato do colega:

“Como todos sabem, este é um mandato transitório, e daqui a três meses certamente teremos outro presidente no INSS. Portanto, a meu ver, nossas ambições, de imediato, se resumiam”:

1. Apresentar o sentimento de revolta e apontar as insatisfações geradas com a desigualdade de condições de trabalho;

2. Deixar claro que não vamos ficar parados, e que a categoria vai se reposicionar (com ações concretas) sobre essas desigualdades;

3. Entender em que posição o Instituto está em relação ao REAT;

4. Dá o start para a construção da solução;

É difícil resumir todo o momento em alguns parágrafos, mas acreditem que foi uma reunião muito combativa e com momentos duros.

No meu relato ao INSS, citei que jornadas diferentes são um incentivo a improdutividade, não há meritocracia nessa diferenciação, nem tampouco alinhamento a essas mudanças que estão sendo feitas sem consulta e participação da base. A solução é uma coisa que está à mão, ao alcance da caneta. Custo zero! (Coisa que todos aqui estão cansados de saber, porque vivem o mesmo).

A cúpula do INSS precisa compreender que é fundamental a participação dos servidores nesse processo de mudança e modernização. O digital traz mais desafios, mais carga de trabalho. O INSS quer uniformizar as realidades, mas não dá importância à igualdade de condições, uma contradição que já existe há muito tempo e que agora o Digital e a fila única expõe de forma gritante.

Não há mais justificativa para jornadas diferentes, sob o verniz burocrático que for. Precisamos lutar pela jornada igual para todos, já que a carreira é a mesma e o salário também. Isso é uma deslealdade do instituto com seus servidores, ademais relatei na reunião o dia a dia como era e as experiências de outros colegas também.

A presidência concordou e reconheceu a injustiça e todo mal estar da categoria, e que já colhia relatos de todos os tipos nesse sentido. Foi observado que:

1. Temos realidades diferentes, área meio e área fim. (TODOS SÃO IGUALMENTE IMPORTANTES);

a. O INSS tem o intuito de aumentar o número de concessores (Hoje há 35 mil servidores e apenas 5 mil na concessão).No entanto sabemos que esse número tem distorções – servidores cedidos a outros órgãos, impropriedades na setorização e na definição do que é área fim e as atividades realizadas.

2. Para resolvermos o problema, deve haver soluções diferentes;

3. “Não existe almoço grátis”! Toda concessão tem que estar justificada e alinhada à uma contrapartida. A presidência deixou isso objetivamente claro, até para que possa ser justificada a jornada reduzida sem redução de vencimentos para os órgãos de controle e MPOG;

4. A meu ver o instituto não vai, por mera benevolência, baixar a carga horária de todo mundo. Dito isso, a contrapartida da área meio e da área fim são diferentes. A meu ver podemos sim trabalhar no curto e longo prazo para todos, mas não se iludam que haverá magicamente uma solução única e universal, e aí pode-se aprofundar essa dicotomia no grupo de trabalho que está sendo montado.

Para mim ficou claro que eles reconhecem o problema. No entanto eles também não têm urgência nenhuma em resolver. Foi colocado pela presidência, (na minha opinião de forma muito descortês, para falar o mínimo) que se fosse para igualar todo mundo porque não colocar todos sobre às 8 horas? Os diretores do movimento expuseram de forma muito altiva e combativa que a luta da jornada de 6 horas antecede o digital, que o REAT passou por mudanças desde sua implementação quase todos os anos, e que esse modelo não funciona e precisa haver uma universalização. Já foi constatada que a mudança de quem reduziu de 8 para 6 não reduziu a produtividade, e só gerou ganhos para todos, inclusive o instituto. Aqui preciso lembrar a relevância do movimento de representação sindical. Se não tivermos uma voz, nossas conquistas irão retroceder. Isso foi perceptível na reunião.

Foram duas longas horas discutindo isso de forma bem ampliada e aqui vou encerrar o meu resumo.

O que ficou acertado? Os diretores vão montar um grupo de trabalho com o suporte da presidência para formatar o projeto de um novo modelo, mais amplo, justo e alinhado com as novas realidades. Isso é um avanço e o ponta pé para termos alguma solução. Ainda assim, esse grupo não vai valer de nada se a gente não demonstrar força e alinhamento. Só vamos ter a solução em uma perspectiva de prazos racionais se incomodarmos.

Foto: no meio o servidor Icaro (BA)
Pedimos Justiça, mas não estamos aqui de pires na mão. Não podemos continuar como pessoas invisíveis nesse processo se sentindo à margem dos demais. Precisamos acabar com essa auto sabotagem silenciosa (servidores cada dia mais sobrecarregados e desmotivados). 

Nesse sentido, podemos amadurecer algumas ideias aqui. Falando sobre a situação das cerca de 500 agências fora do REAT, eu acho que poderíamos fazer um movimento de resistência muito bem alinhado, e que quem estiver fora do REAT não pode pegar processo de quem trabalha 6hrs. A proposta é ficar fora do repositório único, e isso é algo que, como movimento de protesto, está ao nosso alcance, e pode exercer forte pressão sobre o INSS, que já está contanto com isso para aliviar o inchaço das demandas.
A partir daí eles vão ter algum motivo para se engajar e ter pressa também nessa mudança. Do contrário, entra presidente sai presidente, vamos ficar só batendo cabeça e sabe-se lá quando essa proposta vai ser implementada.

Vamos nessa? Está dada a largada para se mexermos e fazer um debate concreto e com ação. Diga o que você pensa, mas não só diga, aja! Mãos a obra pessoal!
ÍCARO GAMA

 MUDANÇA E RENOVAÇÃO
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